quinta-feira, 5 de junho de 2008

Injeção, o melhor remédio!


Num belo dia, que depois eu viria a descobrir que não era tão belo assim, acordo eu, com cortantes e latejantes dores na barriga, a ponto de fazer-me gritar até onde as minhas cordas vocais poderiam suportar, ou até mais. Então surge minha mãe, com os seus amáveis gestos de cuidado, tratando-me como se eu tivesse menos de cinco anos de idade, disposta, diante da lamentável situação, a levar-me ao hospital. Considerando o meu absoluto terror a hospitais, remédios, agulhas e afins, obviamente que recusei de imediato o pedido da minha genitora, mesmo estando gemendo de dor. Só então descobri que não era um pedido e sim uma ordem, e lá fui eu para o hospital, sob protestos, que fique bem claro!

Ao chegar à casa de saúde junto com minha amada mamãe, vem um médico com cara de defunto ressuscitado me atender. Ele não parecia muito satisfeito ao ter que exercer seu trabalho às 7 horas da manhã depois de no mínimo 15 dias seguidos de plantão (porque era isso que o semblante do sujeito dizia), e eu menos satisfeito ainda de estar ali, ou seja, certamente haveria uma guerra civil. A primeira bomba foi detonada quando veio a enfermeira para me levar ao ambulatório com o intuito de que eu fosse devidamente examinado. Esperava eu uma menina bonitinha, com tudo em cima, cabelinho preso e rostinho amável sorrindo para mim, quando me veio uma cidadã de uns 180 anos de idade, todos os elementos corporais obedecendo fielmente à Lei da Gravidade, irritada, mau humorada e com cara de assassina de filme de terror trash americano. Esta nobre profissional me segura pelo braço e me arrasta – isso mesmo, arrasta – para a tal sala em que o defunto... digo, ou médico iria me examinar. Afora o fato de que eu me senti um total deficiente físico e mental ao ser conduzido daquela forma ignorante pelos corredores do hospital (na minha imaginação eu sonhei que existiam macas para esse tipo de transporte), a verdade é que eu poderia perfeitamente ir andando, já que bastava a grotesca companhia daquela esposa de Fred Krueger ao meu lado, e ainda mais caminhando nos corredores do hospital, imagina se alguém conhecido visse aquilo? Aff...

E o troço doía! Entrei na sala e o médico veio me examinar. Sentei numa cama cheia de ferros e dura, enquanto o cidadão fazia-me perguntas a respeito do que eu sentia. O problema é que obviamente devido à dor que emaranhava-se através dos meus pobres órgãos, ficava difícil falar, e as palavras quase não saíam. Por um momento eu achei que fazendo aquele maldito interrogatório o médico queria na verdade me levar para o lugar de onde ele havia saído, o necrotério. Eu não conseguia sequer respirar direito, e o idiota continuava a fazer perguntas e mais perguntas. Quando ele resolveu se calar, veio com aqueles aparelhos gélidos e começou a apertá-los contra meu corpo, e pior, exatamente no local da barriga onde mais doía, enquanto eu pensava: “ah filho da puta!” É, mas como todo filme trash, o meu terror não acabaria ali. Quando menos espero, aparece a enfermeira ressurgida das cinzas do inferno com aquela agulha espirrando um líquido que eu sempre achei que fosse letal, ainda mais nessa situação. Ah, não há terror maior para esta humilde pessoa que vos fala do que ter que tomar injeção, e por isso, objetei de imediato. Lancei um olhar daqueles que o Osama Bin Laden lançaria para o Bush em direção aos dois falecidos e pulei da cama de ferro numa performance à la Diego Hypólito, vesti minha camiseta e fui caminhando para a porta. Os carrascos protestaram, e as poucas palavras que eu consegui pronunciar diziam o seguinte: “eu num tomo injeção nem a pau!” enquanto pensava eu com meus botões: “vão enfiar essa agulha na puta que os pariu!” E saí do consultório. O médico me seguiu com uma receita nas mãos afirmando que metade daqueles remédios eu poderia encontrar gratuitamente no próprio hospital e a outra metade eu teria que comprar na farmácia, explicando que cada remédio tinha uma hora certa pra tomar e dizendo que eu estava com um problema estomacal provavelmente devido às bobagens que eu andava comendo (minha mãe já tinha feito o favor de me caguetar). Eu peguei a receita sem olhar para trás, e saí, andando sozinho, para fora daquele cemitério de seres aparentemente vivos.


PS - Cópia da história permitida para publicação no Blog Espasmos de Riso Descontrolado caso suas editoras julguem viável.

28 comentários:

Nadezhda disse...

Adorei o texto! Ficou muito bom.

Eu tenho horror à injeção, não a à agulha. Eu não ligo de tirar sangue. Mas o fato de ir no hospital e ter que tomar a inejção, em dá um desespero..

;)

Flávia disse...

Hahahahahaha... viabilíssimo!

entraremos em reunião para discutir a próxima pauta (hum, parece até que é coisa séria, né, haha) e sua colaboração está mais do que devidamente usurpada.

Beijos!

Patrícia disse...

Isso era pra ser uma historia de terror??? Pq ficou hilaria!
Hahahahahaha!
Odeio injeção, sou bem capaz de fazer a mesma coisa que vc fez, virar as costas e sair andando!
Mas e ai melhorou a dor??? Espero que sim neh, afinal passar por tudo isso e ainda continuar com dor ninguem merece!
Estou te likando, ok?
Beijos

- Cah disse...

Affe çlasdkhfasoiru
EU DETESTO INJEÇÃO
prefiro ficar tomando remédio o resto da vida

Pedro disse...

Não sou desses que ficam caçando blog e tal, até eu ter a idéia de ter um blog também hahaha.

Aproveitei o meu espaço para falar de um problema que já apresenta melhorias evidentes. Eu faço parte do manifesto NÃO QUERO FICAR CARECA. Pq cabelo existe e é pra ficar na cabeça :P

Achei válido deixar esse comentário aqui, dps de ler os teus posts. Vamos trocar idéia ok. Aguardo a sua visita no meu blog.

Abç.

Pedro
www.naoqueroficarcareca.wordpress.com

ps: vou aproveitar e te add no meu blog.

Camila disse...

Hahahaha
Muito bom...
Eu só vou ao hospital quando não consigo empurrar as pessoas que me seguram (no caso se não me segurarem eu caio)!
Injeção e hospital são péssimos!
=p
Beijo
=)

MH disse...

Morro de medo de injeção.
Pra mim, medico tinha que ter porte de arma, porque injecao nada mais é que uma arma....MEDO..MUITO MEDO

Mila disse...

Menino, tenho que te contar um fato estranho: ontem eu estava organizando no Google Reader uns feeds dos blogs que eu leio sempre. Aí, digitei o endereço de um que eu gosto e queria adicionar lá também.
(até aí você deve estar pensando "e eu com isso?")
Só que não sei qual foi o rolo que eu fiz (ou o google fez) na hora e, ao invés de entrar o blog que eu queria, entrou o seu.
Achei estranho, mas deixei pra arrumar outra hora.
Agora, estava eu lá no blog da Lizzie, o Doces Deletérios, e vi um comentário seu. Cliquei no seu nome por curiosidade e quando a página abriu... É o blog que eu adicionei por engano.
Tô com medo! Acho que seu endereço está me perseguindo. rsrs

Enfim, agora que estou aqui, vou dar uma fuçada no blog. Deve ter algo de muito interessante pra eu ter sido "trazida" pra cá assim. rs

Bjs

Idylla disse...

eu tb odeio injeção, odeio hospital c todas as minhas forças....axo q tem uns 3 anos q n piso em um, só vou em ultimo caso, ou seja qndo to morrendo kkkkkkkkkkk e ainda por cima forçada!!!! injeção então afff...sai d mim...
Semestre passdo teve uma vacina contra a gripe, vc acredita q todos tomaram menos eu, sabe pq? pq foi injeção, aguçhha eu n tomooo nada q for injeção hauhauhauhauhuaha, sou pior q criança...!!!

Q bom q gostou do meu blog, volte sempre q kiser, tb gostei muitooo do seuuuu....

Beijos =*

Camilla disse...

Sabe do que eu lembrei lendo o teu texto?
Do dia em que eu tive uma crise de pedras no rim ferrada e fiquei no pronto-atendimento de um hospital com uma dor daquelas!!

Beijos!!

Jeeh disse...

Com medo de injeção eesse aí da historia ein ;DD eu tambem nao posso dizer nada, tambem morro de medo de uma agulha, mais pedido de mãe nao eh pedido e sim uma ordem ne?! iaiaioaioioaioa
aah quanto a minha nota eh vergonhoso dizê-la em publico :p rs
beeijo amore

Dani disse...

Poxa, médico com cara de defunto a gente quase não vê né? rsrsrs
Pode deixar que vou aparecer mais. Bjim

Nina Ferreira disse...

Meu amigo, que odisséia, hein!
KKKKK!

Eu, graças a meus anticorpos, raramente vou ao médico. Pode me invejar. ^^)

Abraço!

Beatriz disse...

Não sei como cheguei até aqui, mas ao ler esta postagem, confesso, já havia me tornado 'cativa' do teu jeito delicioso de escrever. Li mais alguns posts e adorei o Infantilidades, bem como o Sonhar Dói. A respeito deste, gostaria de dizer que continue a sonhar sim, amigo, mas procure colocar teus sonhos para além das estrelas, para que nenhum 'ladrão' ouse roubar os tesouros da tua alma.

Enfim, o lugar que encanta o olhar e enternece o coração a cada leitura. Prometo voltar, pois amei o teu jeito inteligente e bem humorado de usar a palavra.

Deixo-te sorrisos e estrelas enfeitando a rede onde teces o teu sonhar, e flores e beijos para dizer da minha admiração pelo teu espaço.

Menina Flor disse...

Hum... mto bom. Primeiro por causa das suas comparações excentricas (o defunto e a esposa do Fred Kruguer.. rsrsrs). Segundo que me deu uma saudade da minha mãe.. por mais caguetas que elas sejam!!

Ana Luíza disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Tatá disse...

Aff, tenho pavor de injeção. Só em ler, me arrepiei toda!
Adorei o texto...realmente maravilhoso!

Beijão

- Cah disse...

Mas eu espero que ela esteja bem
=]

melhor do que eu ela está!
hahaha
beijo

Patrícia disse...

Obrigada pela ajuda com meu blog...
Finalmente consegui mudar!
Passa la depois pra ver como ficou!
Beijinhos

mundo a fora disse...

se tem uma coisa q não tenho medo é de injeção e dentista...adoro!

estranho né?

ótimo texto

bjoka

Drêycka disse...

hahaahahahah

muito engraçado!!!!!!!!!!!


hahahaahahahahahah

adorei!

Dani disse...

Tá mais calmo?
rsrs
Bjs e bom final de semana.

Ariana disse...

Apesar de tragico o texto ficou engraçado!

Mais injeção nem é tão ruim assim não, prefiro injeção do que aqueles remédios liquídos com gosto horrivel!rs

Beijo*

Jeeh disse...

Oi viniciius, nossa brigada pelos elogios viu, seu nome tambem pe lindo :D
aah o brasil acabou perdendo nee?!
eles nem se preocuparam em inverter esse resultado no segundo tempo.aiai
brigada por sempre visitar meu blog,adoro suas visitas
beeijo;*

Mariana disse...

Caraaaaaaaaa!!!!!!!!!! eu oodeeeiooo injeção...
te juro..

odeio mto!

:: Daniel :: disse...

Uma das coisas que eu mais detesto na vida é picada de injeção.

Abs!!

Camilla disse...

Mais uma vez, não estou sozinha. Simplesmente, tenho pavor a injeções, a hospitais, e a tudo que me lembre isso.

O pior é que tenho um problema na garganta que sempre me obriga a tomar bezetacil.
Pobre Camilla!

Pois bem, como se não bastasse, de vez em quando tenho cólicas tão fortes que só passam com uma boa dose de Buscopan na veia. Essa ainda é pior, porque vc ainda tem taquicardia, vistas embaçadas, dores de cabeça. É simplesmente, HORRÍVEL!

Ótima crônica.

Anônimo disse...

tenho horror a este tipo de comentario, odiei,nunca devemos e nem referir aos proficionais desa forma,imagine vc pressisando de ajuda,e eles alir tentando,mostrar a vc que tudo tem uma saida!
que a tecnologia estar avasada e vc sombando deles,aff!o carater das pessoas estar em tudo que ele faz mais respeito aos cidadoes de bem !!!
anna!!!!!