quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Injeção, o Melhor Remédio (BIS I)

Caros amigos, estarei republicando alguns textos antigos, a fim de fazer uma seleção para um projeto de livro que eu tenho em mente. Espero que gostem.


Num belo dia, que depois eu viria a descobrir que não era tão belo assim, acordo eu, com cortantes e latejantes dores na barriga, a ponto de fazer-me gritar até onde as minhas cordas vocais poderiam suportar, ou até mais. Então surge minha mãe, com os seus amáveis gestos de cuidado, tratando-me como se eu tivesse menos de cinco anos de idade, disposta, diante da lamentável situação, a levar-me ao hospital. Considerando o meu absoluto terror a hospitais, remédios, agulhas e afins, obviamente que recusei de imediato o pedido da minha genitora, mesmo estando gemendo de dor. Só então descobri que não era um pedido e sim uma ordem, e lá fui eu para o hospital, sob protestos, que fique bem claro!

Ao chegar à casa de saúde junto com minha amada mamãe, vem um médico com cara de defunto ressuscitado me atender. Ele não parecia muito satisfeito ao ter que exercer seu trabalho às 7 horas da manhã depois de no mínimo 15 dias seguidos de plantão (porque era isso que o semblante do sujeito dizia), e eu menos satisfeito ainda de estar ali, ou seja, certamente haveria uma guerra civil. A primeira bomba foi detonada quando veio a enfermeira para me levar ao ambulatório com o intuito de que eu fosse devidamente examinado. Esperava eu uma menina bonitinha, com tudo em cima, cabelinho preso e rostinho amável sorrindo para mim, quando me veio uma cidadã de uns 180 anos de idade, todos os elementos corporais obedecendo fielmente à Lei da Gravidade, irritada, mau humorada e com cara de assassina de filme de terror trash americano. Esta nobre profissional me segura pelo braço e me arrasta – isso mesmo, arrasta – para a tal sala em que o defunto... digo, ou médico iria me examinar. Afora o fato de que eu me senti um total deficiente físico e mental ao ser conduzido daquela forma ignorante pelos corredores do hospital (na minha imaginação eu sonhei que existiam macas para esse tipo de transporte), a verdade é que eu poderia perfeitamente ir andando, já que bastava a grotesca companhia daquela esposa de Fred Krueger ao meu lado, e ainda mais caminhando nos corredores do hospital, imagina se alguém conhecido visse aquilo? Aff...


E o troço doía! Entrei na sala e o médico veio me examinar. Sentei numa cama cheia de ferros e dura, enquanto o cidadão fazia-me perguntas a respeito do que eu sentia. O problema é que obviamente devido à dor que emaranhava-se através dos meus pobres órgãos, ficava difícil falar, e as palavras quase não saíam. Por um momento eu achei que fazendo aquele maldito interrogatório o médico queria na verdade me levar para o lugar de onde ele havia saído, o necrotério. Eu não conseguia sequer respirar direito, e o idiota continuava a fazer perguntas e mais perguntas. Quando ele resolveu se calar, veio com aqueles aparelhos gélidos e começou a apertá-los contra meu corpo, e pior, exatamente no local da barriga onde mais doía, enquanto eu pensava: “ah filho da puta!” É, mas como todo filme trash, o meu terror não acabaria ali. Quando menos espero, aparece a enfermeira ressurgida das cinzas do inferno com aquela agulha espirrando um líquido que eu sempre achei que fosse letal, ainda mais nessa situação. Ah, não há terror maior para esta humilde pessoa que vos fala do que ter que tomar injeção, e por isso, objetei de imediato. Lancei um olhar daqueles que o Osama Bin Laden lançaria para o Bush em direção aos dois falecidos e pulei da cama de ferro numa performance à la Diego Hypólito, vesti minha camiseta e fui caminhando para a porta. Os carrascos protestaram, e as poucas palavras que eu consegui pronunciar diziam o seguinte: “eu num tomo injeção nem a pau!” enquanto pensava eu com meus botões: “vão enfiar essa agulha na puta que os pariu!” E saí do consultório. O médico me seguiu com uma receita nas mãos afirmando que metade daqueles remédios eu poderia encontrar gratuitamente no próprio hospital e a outra metade eu teria que comprar na farmácia, explicando que cada remédio tinha uma hora certa pra tomar e dizendo que eu estava com um problema estomacal provavelmente devido às bobagens que eu andava comendo (minha mãe já tinha feito o favor de me acaguetar). Eu peguei a receita sem olhar para trás, e saí, andando sozinho, para fora daquele cemitério de seres aparentemente vivos.

8 comentários:

Renato Orlandi disse...

HUAHsuhaUHAUhAUHUA... que medo! No hospital q eu trabalho as pessoas estão vivas ao menos ahsuahsuahuhsuahsa... mas é normal, ninguem gosta de injeção, de ser exminado, de ficar ouvindo perguntas do quando provavelmente vc esta mal ahsuahua... Onde eu trabalho é assim, a parte que os pacientes tem convenio só trabalha enfermeiras bonitas (e eu aushauhs) e na parte SUS jogamos os trambucos... rsrsrs...

Lara Amaral disse...

hehehe... Ainda bem que a gente pode rir depois de uma situação de dor e tormento, né? Ficou muito boa a sua história, hilária, hehe.

Vc expôs seus medos, sua angústias, tudo de forma sarcástica e divertida, muito bom.

Abraços.

Camila disse...

hahaha voce é pouco dramático eim hahahahahaha
só uma PICADINHA DE FORMIGA hahah sempre falavam isso!

*Lusinha* disse...

Então é melhor comer melhor para não ter que passar por isso de novo... hihihi
Que você esteja melhor!
Bjitos!

Camilla disse...

Um dos mais engraçados, amor. Morri de rir novamente. Eu queria estar lá pra ver sua cara, seu medroso. kkkkkkk

Te amo!

Nathy disse...

Homem, sempre muito dramático!!! kkk. Quero um livro autografado quando sair...rsrs.

♥ Cαmilα Girαssol disse...

Morro de medo de hospital e injeção!
Medo de verdade.


Imagino como voce se sentiu... bom que passou!


BeijO

Flávia disse...

Medo de injeção, é?

Hehehe. Sei bem como é. Sempre vejo isso.

Beijo!