terça-feira, 29 de março de 2011

Os imortais também morrem


Estas palavras vão para os cidadãos brasileiros. Cidadãos de fato e de direito, aqueles que fazem, já fizeram ou pretendem fazer algo de concreto para transformar em realidade os grandes sonhos de justiça, humanidade, igualdade e desenvolvimento aspirados para o nosso país. Infelizmente, não posso referir-me à maioria do nosso povo, pois é lamentável o fato de que a grande massa dos brasileiros simplesmente abomina política.

Para os que entendem o grande significado e a importância de se fazer política, este 29 de março foi um dia extremamente triste, pois perdemos um dos mais íntegros homens públicos da nossa história. Apesar da profunda admiração no que concerne à sua luta pela vida, convivendo 13 anos com uma doença praticamente fatal, sentindo as dores e os contratempos que ela traz, é cabível dizer que ele contou com os maiores especialistas, os equipamentos mais avançados e toda a estrutura médica para dar-lhe suporte nesta empreitada contra o câncer. No entanto, é importante ressaltar que mais do que um homem que amava a vida, José Alencar era um exemplo de conduta, honestidade, seriedade e trabalho. Foram muitas e muitas as situações em que chegou a fazer despachos oficiais dentro de um leito de hospital, tamanha a sua vontade de trabalhar pelo seu país.

Além disso, sua história de vida pode ser vista como tema para um emocionante longa-metragem. Um homem que nasceu pobre, viveu uma adolescência difícil, e por méritos próprios, com muita luta, conseguiu tornar-se um mega-empresário, sem precisar dos "entremeios" políticos para atingir sua fortuna. Ao contrário da maioria que faz o caminho inverso, Alencar ficou rico para poder se tornar político, e como tal, jamais abdicou de suas convicções, prova disso é que a esquerda brasileira (leia-se Lula e PT) precisou descer do trono do radicalismo para ganhar o seu apoio, ancorar seu nome na vice-presidência, e enfim, chegar ao poder. A partir daí, houve a união de um homem com uma força de vontade imensa e com um coração maior ainda, com um homem conhecedor das nuances administrativas e bem articulado no meio empresarial. Resultado: o governo mais aclamado e mais bem avaliado pelo povo brasileiro. Não há como negar a importância deste homem para o sucesso de crescimento que tem vivido o Brasil nos últimos anos.

Portanto, não perdemos apenas um homem que deu um exemplo grandioso de amor e de persistência no difícil ato de viver. Perdemos um mestre na arte política, um dos poucos (e últimos) homens públicos que direcionam sua trajetória aos anseios da população e sentem-se felizes ao ver a melhoria de vida do seu povo.

Finalizo deixando meu profundo pesar para esta inestimável perda. Não há palavras para descrever o que o meu ativo senso de cidadão brasileiro sente neste momento, porém, não posso ser egoísta e muito menos contestar os desígnios divinos. Para um homem que tornou-se imortal através de sua luta pela vida e pela felicidade dos brasileiros, cabe um merecido descanso e um sincero e emocionado agradecimento. Muito obrigado, vice-presidente, que Deus o tenha em Seus braços.

Os verdadeiros imortais também morrem.

"Não tenho medo da morte, tenho medo da desonra, pois esta sim, pode matar um homem. Um homem com honra nunca estará morto!"
(José Alencar)

3 comentários:

Nathy disse...

Pois é...Gostei do título: "Os imortais também morrem". Tudo a ver... beijos!

Michelle disse...

Amei teu texto! fiquei até emocionada...vai fazer falta mas merecia descansar!

Camilla Rabelo disse...

Os imortais também morrem. Com certeza, será imortal na história da política brasileira.