quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Educação - de quem é a culpa?

Não é preciso procurar muito para encontrar em nosso sistema educacional milhares de falhas. O professor que não ensina bem porque está desmotivado ou é despreparado, o aluno que vai para a escola somente em busca da merenda porque não tem alimentos em casa, entre outros. No ensino privado, os adolescentes recebem uma pressão fora do comum para passarem nos vestibulares e assim, elevarem o nome da escola. As mensalidades altíssimas que tiram a paz familiar e fazem os pais cobrarem ainda mais dos já tão cobrados alunos. Isso sem falar dos que vão para a escola somente porque não têm outra opção, e não dão a menor importância à tentativa dos professores de ensinar alguma coisa. Para eles valem mais as brincadeiras e algazarras com os colegas. Como visto, existem vários motivos para qualificarmos o sistema educacional como falho, e poderíamos encontrar vários culpados: o governo que não incentiva e paga mal, os pais que cobram demais ou cobram de menos, os professores que não são qualificados, os alunos que são desinteressados, as escolas que não têm estrutura adequada, enfim, muitos são os responsáveis pela desastrosa qualidade do ensino no Brasil.

Uma das maiores prerrogativas da humanidade é sempre encontrar culpados para toda e qualquer situação. No entanto, no caso da educação, se pararmos para pensar, na verdade não existe culpa, e sim responsabilidade. Os dados são de fato alarmantes, tanto no ensino infantil, como no fundamental, médio e principalmente superior. Em avaliação do ENADE, apenas 1% das instituições superiores do Brasil – envolvendo públicas e particulares – receberam nota máxima, e muitas delas foram desautorizadas pelo MEC a continuarem funcionando.

A Didática diz que o aprendizado não é um produto, e sim um processo. Ninguém pára de aprender. Este processo deve ser continuado, seguido, pois não existe, em disciplina ou área alguma, um “aprendizado final”. Em se tratando de um processo, é necessário que exista um conjunto de iniciativas para que este aprendizado possa ter sucesso: a estrutura familiar, inicialmente, é essencial. Nem mesmo a melhor escola do mundo pode transformar um aluno que tenha problemas familiares. O papel educacional da escola jamais substituirá o papel educacional da família. Os pais e familiares precisam, assim como a escola, criar um clima favorável para que a criança, adolescente ou jovem, possa desenvolver um bom trabalho e um bom nível de aprendizado. Se não há esta estrutura, todos os demais pilares da cadeia educacional estarão prejudicados. Havendo a educação familiar, entra em cena a escola. Ela deve desenvolver meios para o aluno possa assimilar o que está sendo trabalhado. Estes meios passam pelas questões didática e pedagógica, pela consciência de que cada estudante possui a sua individualidade, e que a idéia de homogeneidade na educação ficou no passado. Foi-se o tempo do professor como autoridade máxima, do joelho no milho, da palmatória. Uma aula deve ser um momento de interação entre professor e alunos, de troca de conhecimentos e de experiências, onde o professor deve embutir a questão técnica dentro do dia-a-dia daquele estudante, e não apenas a velha política do “eu sei tudo e você não sabe nada”.

O sistema também deve mudar. Vestibulares anuais ou semestrais, que elevam o nervosismo dos candidatos/alunos à níveis inimagináveis, não parecem ser a melhor forma de avaliação. Um processo tão importante como o ingresso em uma faculdade deve ser adjetivado como algo continuado, constante, e não aquela coisa estática de um ou dois dias de prova e seja o que Deus quiser. Esta forma avaliativa não considera, por exemplo, a capacidade de um aluno que estudou o ano inteiro, mas duas semanas antes do vestibular, começou a ter problemas pessoais sérios. Obviamente este estudante terá dificuldades para se sair bem nesta prova, o que não significa que ele não tenha conhecimentos suficientes para ingressar numa universidade. É preciso acabar com esse sistema de imposição. O ingresso nas universidades deve ser avaliado sim, até mesmo porque infelizmente ainda não possuímos estrutura universitária para todos os que terminam o Ensino Médio, mas o foco desta avaliação deve ser continuado, ano após ano, desde o Ensino Fundamental até o Ensino Médio, para que assim, seja premiado aquele estudante que de fato, obteve uma base suficiente para ingressar naquele determinado curso superior.

E por fim, a mudança de atitude dos estudantes. Entender que independente de qualquer coisa, o único prejudicado no processo de aprendizado é ele mesmo, que é a camada mais baixa da pirâmide. A escola, o professor, a família, todos estão ali para gerar a estrutura, técnica e psicológica, suficiente para que ele possa alcançar seu objetivo. Se ele decide não ouvir família, escola ou professor, não estudar, não dar valor para a sua própria capacidade, nenhum esforço de quaisquer dos outros pilares será válido. Tudo parte da consciência de cada um, e cada atitude de hoje vai gerar a reação de amanhã.

Portanto, não existe culpa, e sim responsabilidades. Cada um tem a sua. Pais, escola, professores, alunos, governo e sociedade. Todos precisam entrar em consonância para que o aprendizado possa se dar de maneira real e não virtual, e para que a educação no Brasil possa, quem sabe, se tornar elogiável daqui há cinqüenta ou cem anos.

10 comentários:

Pervitin Filmes disse...

pra escapar do pacto de hipocrisia é necessário que cada um faça sua parte. Família é a base. Parabéns!

Obs. Visitando postagens mais antigas, deliciei-me ao ler: "Blog nosso de cada dia"" artigo muito ácido com roupagem inocente e infantil. Muito bom.
Sandro Neiva

Camila disse...

QUANTO TEMPOOOOOOOOO
pois eu acho que a culpa é nossa...
Se não darmos um *bafão pra tudo isso melhorar, continuará assim...

Bjo

Thais Motta disse...

Ow , por onde o Sr tem andado hen ?

eu não vou sumir , mas vê se não some tb .

Quanto ao teu comentário no meu post , to recuperando minha racionalidade outra vez .. :P

Um beijo

Raquel disse...

Uff culpados... culpados mesmo somos todos nós, e estas são questões que precisam ser definitivamente resolvidas porque se o Brasil quer mesmo chegar a ser este país desenvolvido é preciso soliconar, não só isso mas as outra grandes problemáticas nossas, política, segurança e pobreza...

Mariposa Louca disse...

Gente adorei o texto
super consciente
gostei do seu blog

beijao

Anna Carolina R. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anna Carolina R. disse...

A culpa é sua! Hum!
Depois leia um texto sobre a Internacionalização da Amazônia de Cristóvam Buarque em resposta. Enfim, a unica coisa certa quanto a educação é que ela começa do ensino infantil, e sem o cuidado necessário a partir daí, não adiantam CEFET's, cotas, universidades ou seja lá o que. Hehehe!

8 de Outubro de 2009 21:34

Bia Kohle disse...

Só sei que se caso eu tiver um filho, não vou deixá-lo nas mãos dos outros.
Essa educação que estou recebendo desejo que seja inferior a que ele irá receber.

Beijos,

Priscila Rôde disse...

Voltei! rs
Fiquei um pouco afastada do blog essa semana, dai fiquei sem visitar alguns blogs que estavam atuzalidos, acabei não visitando o seu. rs

Mas estou aqui, pra agradecer seu comentário acompanhado de elogios.

A educação, me chateia! Espero estar viva pra presenciar sua mudança, e que haja mudança. Caso contrário, não minha morte não será tão triste assim.

Meu beijo.

Luana Ferraz disse...

Verdade, mas, te confesso, que tem melhorado, pelo menos em João Pessoa, cidade onde moro, as escolas do municipio tem dado uma verdadeira lição em educação.

Um beijo