segunda-feira, 14 de março de 2011

O apocalipse e o BBB


Pessoas estão morrendo. Dessa vez, não é simplesmente porque Nostradamus disse, ou porque algum vidente previu, ou ainda porque fizeram um filme falando do fim do mundo. Talvez estejamos mesmo já em lucro com a natureza, diante de todas as misérias que temos feito com nosso planeta. Estamos morrendo porque somos fracos, burros e ao mesmo tempo ingênuos. Ao achar que vivemos para aproveitar uma vida maravilhosa que Deus nos deu, acabamos, sem saber, encurtando-a cada vez mais.

Ao longo dos últimos anos a natureza tem mostrado sua ira de forma incontestável. Não dá mais para fingir que nada está acontecendo. Somente agora o homem resolveu se preocupar com o aquecimento global, com os problemas ambientais, com o ar que respiramos. Temo, porém, que o saldo já esteja negativo demais, e que não haja tempo hábil para quitá-lo. Entramos no cheque especial e os juros têm sido altos demais.

Passamos muito tempo renegando nosso destino, acreditando e vivendo como se tudo fosse eterno. Aprendemos a cultivar o individualismo, a ganância, o materialismo e a falta de bom senso e humanidade, como se o destino de todos, absolutamente todos, não fosse um só. Agora este destino se aproxima perigosamente de nós, com a força de um vento irreversível, imutável, impossível de se conter. O homem conseguiu muitos avanços científicos, conseguiu clonar a si próprio, conseguiu inventar o computador, os milagres da medicina, fez mudanças genéticas, cresceu com sua ciência, e acreditou, fielmente, que era o dono do mundo. Estava errado.

Agora, nem ciência, nem medicina, nem computador e nem os deuses dos laboratórios conseguem mudar a única verdade que grita bem a frente dos nossos olhos: estamos no fim de tudo. Mais que uma opinião pessimista, trata-se de uma triste contestação ao assistirmos passivamente pessoas mortas flutuando numa imensa onda de tristeza, no Brasil, no Japão, no Haiti, acidentes nucleares, ao vermos milhões morrendo de fome na África, e, enquanto tudo isso acontece, continuamos felizmente e friamente preocupados com a última e importantíssima eliminação do BBB. Sou ranzinza, sim. Mas não sou cego, nem burro.

5 comentários:

Camilla Rabelo disse...

Muito, muito bom amor!

Canteiro Pessoal disse...

Interessante o espaço. Levantas questões importantes - polemitizar, argumentar, discutir [reflexões].

Priscila Cáliga

Rafaela disse...

Olha, eu entendo o que quer dizer. No domingo à noite, enquanto eu estava morrendo de preocupação com o possível novo tsunami no Japão, tudo o que o povo comentava na timeline do meu twitter era sobre a eliminada da noite no BBB. E isso realmente me irrita... O fato de as pessoas se importarem tanto com coisas tão inúteis. Esse jeito mesquinho de pensar ainda vai destruir a humanidade, não tenho dúvidas disso. Ainda mais se a mudança não começar a acontecer.
Mas, é aquilo de cada um fazer a sua parte. To fazendo a minha, esperando que os outros sigam o exemplo.

Beijos!

Marcos Costa - Assistente Social disse...

Parabéns! Muito bom o seu trabalho.

Kamilla Barcelos disse...

Vou seguir a linha do Voltaire, parafraseá-lo e dizer que apesar de não concordar com metade do seu argumento, respeito a sua opinião. Eu não entro nessa de ira da natureza pelo fato de ocorrerem tsunamis, terremotos... que sempre existiram, independente do homem. Já inundações, sim, tudo culpa das pessoas que não respeitam o espaço. Não consigo entrar no discurso ambientalista de fim do mundo. Sei que as coisas não estão boas, nem satisfatórias, mas não acredito no apocalipse ambiental, como muitos dizem.