quarta-feira, 14 de maio de 2008

Eu Sou Feliz, e Você?

Não, não me venha com desculpas. Não venha querer atirar sobre mim o fracasso da sua felicidade. Eu sou eu, e você é você, e cada um colhe o que plantou. A principal prova da fraqueza de alguém é buscar culpados, pois quando as coisas andam bem, ninguém deseja dividir os méritos, mas se a tristeza vem, é sempre mais fácil olhar para o outro e apontar um dedo cheio de rancor e culpa.

Não, não tente desviar o foco do seu insucesso. Busque primeiramente dentro de você as respostas para todas as coisas que você passa. E não tente julgar, pois não é de sua competência. Não somos competentes sequer para viver as nossas vidas dentro dos nossos limites de bom senso, como podemos querer taxar outra pessoa por qualquer demérito, se nem mesmo sabemos se é de fato demérito?

Não adianta, eu não vou cair, porque aprendi a olhar para baixo, coisa que você não fez. Você só olha para frente ou para você mesmo. Nem sequer vê o caminho que você trilhou e está trilhando, ou quantas pessoas você subjulga, desmerece e atropela. Já parou para pensar o quanto você é capaz de se achar melhor que os outros apenas por causa de algumas pequenas vantagens que não passam de privilégios sociais? Já parou para imaginar o quanto sua existência tornou-se fútil e baseada em momentos e pessoas que nada de bom trazem, a não ser uma ressaca moral e física no dia seguinte e alguns centavos a menos em sua conta bancária? Não, eu olho pra baixo, e sua força negativa não vai me derrubar. Quem achar que é capaz de através de palavras inúteis ou injúrias sem base destruir os caminhos de um sonho, de um desejo ou de qualquer outra coisa que o outro construiu ao longo do tempo, está definitivamente fadado à solidão ou ao sofrimento, e basta prestar atenção para entender que você já é um sofredor. Sua vida resume-se a encontrar nas pessoas a culpa pela sua falta de possibilidade de ser feliz em quaisquer aspectos da sua vida através de seus próprios esforços. Quando não, você se apega a migalhas de felicidades que de tão fulgazes tornam-se quase invisíveis, pois esta felicidade é construída pelo mundo, e a minha eu mesmo tento trilhar a cada dia que abro os olhos. Essa é nossa diferença, e por isso que estamos distantes, e vamos ficar cada vez mais.

Não, eu não vou esbravejar contra você. Não vou dizer que você foi e é fraco, não mais. Vou seguir conforme meus princípios sempre me guiaram, dividindo minha vida com pessoas que me tragam a paz de espírito que preciso para buscar sonho a sonho - porque eu sei sonhar - sem medo de me machucar nesse caminho, ou de ser julgado, ou de ser difamado, porque é assim que se constrói a mais leal das relações humanas, e é assim que minha vida me guia e sempre me guiou.

Vá em paz, que eu vou feliz, e pro seu próprio bem, aprenda a viver, quem sabe você encontre em você mesmo a razão de suas lágrimas. Não há culpados, há atores. É a vida.
Aprenda a contracenar.

2 comentários:

Camilla disse...

Contracenar com nossas próprias derrotas, sabendo tirar delas o proveito e não apenas lamuriar pelas mesmas, é um ato de glória. É mesmo comum tentar culpar os outros pelas nossas derrotas. E é tão fácil carregar sozinho um mérito. Eu sempre digo que a vida é uma peça de teatro, que temos que saber aproveitar ao máximo durante a cena, sendo feliz, sabendo viver antes que a cortina se feche.


Beijão...

hehe

Flávia Fabri Cesário disse...

Feliz pelos meus erros, pelos meu acertos, certezas, dúvidas...
Aprender que somos impoerfeitos... que estamos suscetíveis aos próprios erros e aos dos outros também. Aprender, aceitar, ceder, conceder... Tudo isso torna a vida muito mais interessante e misteriosa!
Um beijo!