domingo, 12 de dezembro de 2010

Quem realmente está conosco


Agora eu entendi. Depois de todos esses anos, todas essas pancadas da vida, todas essas dores injustificadas, finalmente consegui entender a real essência do ser humano. O difícil é que chegar a esta descoberta acabou me causando uma dor imensurável, mas, de qualquer forma, agora posso dizer de peito aberto que aprendi.

Há bastante tempo tenho em minha consciência a necessidade de cuidar bem das pessoas que eu amo. Cuidar de verdade, dar atenção, carinho, respeito e amor incondicionais, independentemente do momento ou do tamanho do problema. Estive ao lado de muitas pessoas que julguei amar, e que acreditava que me amavam também, e não me arrependo de nada, absolutamente nada. Sei que fiz o que meu coração e minha consciência mandaram. Tenho convicção de que só quis o melhor, só quis ajudar, e fui o melhor que eu pude ser. No entanto, recentemente, a vida tem me trazido algumas decepções, especialmente no campo familiar, que servem para me mostrar como é que as coisas, de fato são.

Admiro muito aquelas famílias que não se reúnem apenas em ceias de Natal e Ano Novo, que ajudam uns aos outros, que se amam independentemente da distância. Sei que isso é real e de fato ainda existe. No entanto, infelizmente não recebi essa graça na minha família. Descobri que as pessoas só valem alguma coisa quando têm algo (material) a oferecer, ou quando compartilham da mesma opinião. Divergir, estar fisicamente longe, lutar pela vida, correr atrás dos sonhos e ser um pouco diferente faz com que as pessoas se afastem de você. O ruim é que eu não entendia isso, achava que estava tudo bem, e no momento em que voltei a recorrer a pessoas que eu amava sinceramente, fui mais uma vez estapeado pela vida e jogado à lona.

Mas enfim, a vida é feita mesmo desses aprendizados. Gostaria apenas de não ser assim tão sensível e não sofrer com essas decepções, pois quem me conhece e acompanha este meu blog sabe o quanto eu já tomei na cara. Mas garanto que desta vez, aprendi. Agora eu sei que família na verdade somos somente nós e nossos pais (quando os temos), e que o restante serve mesmo para fazer graça, tirar foto no final do ano, e desfilar hipocrisia e ostentação quando necessário.

É por essas e outras que, com quase 28 anos de idade, afasto-me definitivamente de algumas portas que eu sempre julguei, desde a minha infância, estarem abertas, e apego-me a algumas janelas que, depois disso tudo, continuam a fazer com que o sol brilhe na minha vida, pois ninguém no mundo pode encontrar a felicidade na solidão, mas a nossa companhia mais verdadeira e incondicional é aquela a quem tivemos a honra de escolher.

"Cuide bem do seu amor, seja quem for!"
Hebert Vianna

4 comentários:

Nathy disse...

É, eu não sou muito ligada a família (fora minha mãe e avós (que moram comigo), e pr isso não tenho tantas decepções, mas dentro da minha família já houveram algumas e eu sei bem do que vc fala. Por isso, em casos como este, é bom eu ser da forma que sou (meio fria e distante)

Beijos!

HSLO disse...

Família é algo que só agora estou dando valor...Somente eles estão ao nosso lado, nos piores e melhores momentos.

abraços

mô. disse...

É, sei muito bem como é isso. Minha familia não é lá aquelas coisas também. Desde de pequena há aquelas brigas e sempre foi cada um para um canto, então nem sou muito ligada assim mas apesar de tudo, amo muito eles e mesmo com as decepções, é preciso ter o amor porque afinal das contas, familia é familia independente de qualquer outra coisa :~

Priscila Rôde disse...

"Agora eu sei que família na verdade somos somente nós e nossos pais (quando os temos), e que o restante serve mesmo para fazer graça, tirar foto no final do ano, e desfilar hipocrisia e ostentação quando necessário."

Aprendi isso muito cedo e pense numa dor! Doeu muito! Mas aprendi! Se fosse pra escolher, eu optaria por aprender hoje, um pouco mais tarde mas... veio um pouco cedo demais.

Família é tudo pra mim! Meus pais e minha irmã! Os outros, tenho carinho, afeto mas não morro por eles!