quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Obrigado, Paracatu

Hoje, em plena véspera de Natal, encerra-se mais um ciclo da minha vida. Orgulho-me de ser uma pessoa destemida, que não deixa de arriscar para buscar realizar sonhos... e eu vivo sonhando. Há sete anos, diante de alguns percalços que a vida me trouxe, resolvi dar uma reviravolta completa em todos os rumos da minha existência. Fui chamado de louco, inconsequente, desesperado, irresponsável, entre outros adjetivos os quais não vale à pena retomar. Hoje, depois de muita luta e sofrimento, olho para trás e relembro a frase do imperador romano Júlio César: vim, vi e venci.

Tenho muito a agradecer a esta cidade, às Minas Gerais. Povo generoso, acolhedor, irmão, amigo. Muito parecido com as pessoas do meu amado Nordeste. Aqui, você não cria amigos, cria irmãos. Aprendi muito nessa "Atenas mineira", Paracatu. Cresci profissionalmente como jamais imaginaria. Percebi o meu valor, a minha competência. Lutei dia após dia, buscando realizar cada um dos meus sonhos. Errei muito, acertei muito também. Mas acima de tudo aprendi. Muito do que eu sou hoje, como profissional e como pessoa, eu aprendi aqui. Não tenho palavras para agradecer o que esta cidade e este povo me deu e fez por mim.

Mas como dizem, "todo bom filho à casa torna", e agora chegou a minha hora de respirar o ar puro da minha querida João Pessoa. Levo comigo cada sorriso, cada momento feliz, cada aprendizado, cada sonho aqui conquistado. As coisas negativas prefiro deixar para trás. Para mim, elas nunca serão maiores do que a alegria que vivi nesta terra.

Volto por vontade própria, por saudade, por sentir que chegou o momento, por entender que estou preparado. Levo de bagagem uma mala enorme de conhecimentos e amizades e outra mala maior ainda de sonhos. Aprendi que a vida não espera por nós e que nossos passos devem ser guiados pelo nosso coração, e agora, depois de 7 anos de alegrias e aprendizados, esse coração me diz que chegou a hora de voltar.

Obrigado, querida Paracatu do Príncipe. Um grande beijo deste "forasteiro" que agora à casa torna, mas que te levará para sempre dentro do seu coração! Até logo!

domingo, 13 de dezembro de 2015

Ipeachment à ignorância



Alguém um dia disse que o pior analfabeto é o analfabeto político. Neste sentido, nenhum país é mais contraditório que o Brasil. A grande maioria das pessoas brada aos quatro ventos que odeia política, que voto não deveria ser obrigatório, que nenhum político presta e etc., mas basta que haja qualquer movimento que possa juntar pessoas contra qualquer coisa que seja, estão todos lá, de caras pintadas, vestidos de verde e amarelo e "lutando" por seu país.

Infelizmente, a grande maioria não tem ideia do que represente um processo de Impeachment, ou impedimento de um governante. No entanto, estão lá. Carros de sons, gritos de ordem, e tudo mais. Apenas massa de manobra manipulada por uma minoria que tem alguma liderança. Não sabem o que fazem e nem por que exatamente estão ali.

Não se questiona o processo político pelo qual passa o país, que é verdadeiramente arrasador. Seja a presidente da república, o presidente da câmara, do senado, o vice-presidente e a grande maioria dos senadores e deputados deveria ser expurgada, não apenas de Brasília, mas do país. No entanto, o que acontece hoje é um movimento sorrateiro que visa o declínio de apenas uma corrente política, enquanto há outras tão ou mais avassaladoras do que a que governa o Brasil. 

Chego a conclusão que apenas uma revolução generalizada, partindo do pressuposto de investimentos incessantes e colossais na educação, pode mudar alguma coisa neste país. Não é um Impeachment, são vários. É uma limpeza geral, onde não poderá sobrar pedra sobre pedra. Qualquer coisa a menos que isso será pura ilusão ou mais uma vez, ações patrocinadas por grupos que não fazem oposição, apenas têm ódio por não estarem no poder.

E viva à liberdade.

domingo, 29 de novembro de 2015

Prazer, sou um débil mental

Quanto mais envelheço, menos sei viver. Dizem que a experiência nos faz calejados, mais cuidadosos, menos tensos... então, pensando em tudo o que dizem a respeito de crescer e aprender, chego agora a conclusão de que sou um completo débil mental.

Porque acredito no amor vencendo tudo. Acredito que a lealdade é mais importante que um rosto bonito. Acredito que o companheirismo e a dedicação vencem os defeitos. Não que alguém seja obrigado a aceitar o defeito do outro, mas que, no mínimo, as pessoas sejam respeitadas pelo que verdadeiramente são e não apenas julgadas pelos erros que cometem. Sou um débil mental porque acredito que, o amor, quando é verdadeiro, nunca acaba.

Sou um débil mental porque acredito em dar e receber atenção, apoio, carinho. Porque creio que ignorar uma pessoa ou seus sentimentos é o pior dos crimes que alguém pode cometer. Creio que o silêncio às vezes machuca e machucar o outro é ruim demais. Sou um imbecil porque eu só me sinto sufocado quando sou ignorado na minha imensa vontade de dar atenção e de cuidar das pessoas que eu gosto. Está errado. Deixe quem você ama voar, caminhar com as próprias pernas, mesmo que a pessoa se arrebente, caia, desande, morra no processo. Não importa. O certo é deixar ir. Como eu não sei ver pessoas queridas morrendo no processo e ficar de braços cruzados, sou um débil mental.

Sim, sou velho. Além de débil mental, velho! Ouço músicas velhas, seresta, brega, samba, rock progressivo, melódico, antiguidades que os jovens de hoje julgam músicas "cafonas" e "sem graça", porque não fazem a pessoa sentir vontade de balançar a bunda, encher a cara de cachaça e sair dando ou comendo todo mundo! Sou débil mental porque para mim, música é arte, não apenas diversão, se é que se pode chamar o que estão fazendo com a música de "diversão". Respeito o artista que preza pela poesia, pela mensagem transmitida, seja ela política ou de amor. Eu sou um débil mental porque não aprendi a ser "jovem" musicalmente nos dias de hoje.

Sou um babaca porque não gosto de academia, porque não tiro foto no espelho, porque acho essa coisa de "selfie" uma completa idiotice, porque amo viajar, aprender coisas novas, viver as coisas que eu gosto e que me fazem feliz. Legal é quem faz o que a sociedade acha correto. Vá malhar, ter um corpo definido, ser bonito, arrumar o cabelo, fazer plástica... vá agradar ao mundo, mesmo que o mundo te desagrade. Sou débil mental porque acho que é importante cuidar da embalagem sim, mas é mais importante cuidar do conteúdo primeiro, do espírito. Embalagem sem conteúdo para mim não vale nada. Mas falo isso porque sou feio... e débil mental!

Também sou um débil mental porque odeio "reality shows"... afinal, todo mundo gosta, então, é legal. Se você não gosta, você não faz parte desse mundo. Eu acredito que a mídia tem um papel fundamental no processo de enriquecimento cultural de um país, e não é preciso ser um débil mental como eu para entender que a nossa mídia faz cada vez mais o processo inverso, ou seja, denigre, expõe, empobrece e idiotiza o povo. O brasileiro se tornou um povo idiota, burro e ignorante, muito por causa da mídia. Só que ninguém se importa com isso. É legal ver as "tretas" dos reality shows e das novelas.

Olha só, eu gosto de política! Como alguém pode ser tão débil mental? Acredito que na democracia, nada se faz ou conquista se não for através da política. Então eu me envolvo, acredito, sofro, choro, filio-me a partido político, tenho ideologia, tenho mestres, leio, escrevo, luto, tento entender e sofro mais ainda. Sofro por ver que os nossos jovens, que não são idiotas como eu, odeiam política. Sofro por perceber o quanto descartáveis estamos nos tornando. Por perceber que as pessoas não sabem diferenciar a política da politicagem e não sabem que a primeira é necessária, enquanto que a segunda é apenas o mau uso da primeira. Já que todo mundo que gosta de política é débil mental, então, eu o sou. 

Choro com as tragédias ambientais, choro ao ver pessoas lavando calçadas e a água do mundo acabando, choro com atos de terrorismo - seja no Brasil, na França, na Tanzânia ou em Marte, choro com a solidão e principalmente em perceber que o ser humano está menos humano. Viramos robôs dependentes de aparelhos eletrônicos, que por sinal, valem mais do que a pessoa que está ali à nossa frente tentando cuidar de nós. 

Sou realmente um débil mental. E nunca deixarei de ser.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

A dor de ser professor




Não há muito o que escrever. A dor é maior. Gritam pedindo impeachment da Dilma e se calam vendo professores apanhar a mando do governador do PSDB. Senso democrático ou interesses pessoais? Vontade de ver o país melhorar ou fazer o país voltar a ser de propriedade privada? Não há como explicar. Não há o que escrever. É só dor. 

quarta-feira, 25 de março de 2015

Onde estão?


Onde estão os lírios do campo? Aqueles que enfeitavam as manhãs ensolaradas, dando vida aos campos, dando vida à vida... onde estão as flores perfumadas? Cadê a magia, a alegria, o doce cheiro do amor que, não sei por que, se transforma num odor desagradável de desalento e desencanto. 

Onde estão o cheiro, o toque, e olhar, o sorriso, a paz? Cadê todos aqueles sonhos que pairavam por onde quer que passássemos, que nos faziam ver sempre milhões e milhões de motivos para encarar mais um dia, seguir em frente e alcançá-los?

Como entender que as flores não têm mais perfume, que os lírios morreram, que o sol não brilha mais, quando jamais se deixou de reverenciar a natureza e todas as alegrias que ela nos traz? Como entender que a sombra ultrapassou a força da luz, que a noite é maior que o dia, quando sempre se semeou a paz e o amor incondicional?

Sejamos, então, como a semente, que morre, seca, se enterra, para nascer de novo. 
Que nossos lírios voltem da semente, pois os campos estão muito vazios, vazios...